14.12.10

Eu fico triste, alegre

...em passos largos procuro a saída pela guarita. Agora que desço as escadas o ar parece fluir mais lívido. As coisas parecem estar mais adequadas e no ritmo que eu sempre desejei. Estou de férias. Depois de quatro meses cansativos, estou de férias. Termino com quase chave de ouro... Ainda espero pelo resultado do tormento: farmacologia.
Enfim, agora o que espero é uma cerva bem gelada e paz...


26.11.10

e-mails trocados de um mesmo mundo

Caro amigo,
     soube que passas por dificuldades sociais. Essa missão da segurança nacional é positiva, busca a apreensão de bandidos e afins. Imagino o desconforto que deve habitar seu bairro. Questiono-me se a população está de acordo com essa "invasão". Daqui torço para que tudo dê certo e que possamos viver num país mais seguro. Só assim vamos observar projetos eficientes do goveno serem implantados aí.
Estou bem, além de preocupado com essa situação. Posso ver pela TV o que lhe acontece. É bárbaro!
Abraços.
Att, Sr. Classe Alta.


Amigo,
     agradeço sua preocupação, mas ela agora não me serve de nada. Minha comunidade não dorme, não come, não anda e agora, também não respira. Pode ser positivo e espero que seja. Mas nossas ruas parecem um abatedouro. Minhas crianças, que nunca brincaramm na água e sim no esgoto, agora pisam e pulam no sangue. Porque tenho que me preocupar com a União se o inferno é aqui no morro? Seu país não é o mesmo que o meu. Eu torço pra que possamos sobreviver depois (até) que isso acabar, seja como for.
Não estou bem. E, a partir de agora, dificilmente estarei. Vejo pela brecha da janela o que realmente acontece! Não é bárbaro!!! É o nosso fim... Não o começo.
Despeço-me.
Att, Sr. Classe Miserável

24.11.10

Templos

Isso de fato se encaixa nas situações curiosas que me encontro.

O cara parado do outro lado da pista encara as opções de sua vida. Não são das melhoras, mas de alguma maneira é possível tirar o proveito de ambas. Então, o que está na mesa?
De um lado reina um império construído com base na palavra de um tal deus, um que gosta de música alta, assim como as falas. Que se sente confortável no ar-condicionado e é de acordo com a faixada azul. Pode ser inserido na conta, uma porção de fiéis loucos e aptos a fazerem o que o funcionário do correio divino propõem. Parece ser divertido estar na paz e meditar o que a vida nos traz.
Do outro lado, apenas dividido por uma parede simples de blocos simples, encontra-se o antro “da perdição”. Isso depende muito do que os primeiros a serem mencionados aqui dizem. Há uma lista de adjetivos que descreve esse lugar. Nele impera Bob, com sua música totalmente meditativa, ainda mais em conjunto com a Erva. Nas poucas mesas a cerva de cada dia. No cabelo os drads de sempre, na boca o assunto da vez. Uma tal de liberdade, que gosto do que todos gostam. Esse pessoal está apto a fazer tudo que der na telha, só depende do tanto de etílico que se encontra. Então o mestre da vez é o Seu, aquele que fica por detrás do balcão.
Ele fica meio fica meio perdido com as opções e...

*Relato da minha volta da UESC, logo na esquina da minha casa. Dois templos! Encaixa-se nas observações construtivas.

22.11.10

Balanço do Tempo


"Não gosto do relógio que corre, nos faz viver menos... Aquele seu ritmo um tanto acelerado não agrada, nem é poético. Prefiro o que ligeiramente pausa. E retorna. Pausa. Retorna. É mais gostoso, temos a sensação de que estamos vivendo mais dentro do segundo em que observamos. Sua melodia em tic-tac, seu toque surpreendente. Esse sim é mais proveitoso e até sensual."


Estava eu pregado na cadeira desconfortável do centro do vai-e-vem, da pressa e imperfeição, da agonia em não estar na estrada e ter a sensação de que falta pouco tempo para sair dela. Então, perco minhas horas observando o comportamento alheio e a fúgida corrida do relógio. Resumindo, nada!
Mas viver o pleno nada nos revela curiosidades e constrói esse olhar crítico, pré-conceituoso de que gostamos tanto. Entre mulheres conservadoras, puritanas e as bem safadas, com seus vestidos e calças apertadas; os velhos e as babas (nessa classe evidentemente estão os taxistas); as crianças e inocências; outras nem tanto; e nós, a fase da adolescência ao adulto, com seus olhares impiedosos, gulosos e em ápice gozo - isso ao se referir às gurias de pernas grossas e glúteos fartos. E assim o tempo me passa e eu passo a compreender os valores de cada!
Vivo "trechamente" esse rápido e me encontro farto. Da espera, do que estou fazendo, da vida, de agora. Mas não me canso do impuro e delicioso... Tic-tac do quadril dela.

*Apenas uma observação nada construtiva. Relato o meu desejo alheio... E o dos outros também.