18.4.15

Cidadania no Brasil - O longo caminho

SINOPSE: A obra é um guia sobre a longa jornada da democracia brasileira, desde os primeiros passos do Brasil independente, ainda monárquico, passando pela República, até os movimentos de rua recentes. A nova edição chega quando tudo está em ebulição e em transição. Hora perfeita para entender o que o país construiu em quase dois séculos de jornada. (Extraído de sua página no Skoob).



"No início, pensei: será que é tendencioso? E essa pergunta retornou alguns dias após, com um estudante alienado do curso de Economia. Ele, ao ter contato com a capa e o folear rápido das páginas, concluiu: é tendencioso. Ressalto que nesse momento quis defender o autor, quis discutir com o estudante, mas senti fadiga de tudo aquilo."

O livro é histórico e bom. Separado em quatro capítulos, conta a história do Brasil. Mais especificamente, a história da cidadania no Brasil. O texto é dividido em três personagens: o direito político, civil e social. Com a intenção de explicar as conquistas sobre esses direitos, o autor percorre 178 anos (ou 500) da história nacional para relatar como chegamos ao estágio atual, o que precisamos melhorar para a conquista desses direitos e o que está nos impedindo de tê-los.

Em Primeiros passos (capítulo I), nos informa o que ocorre em 1822 e em 1881, antes desse período e depois, chegando ao ano de 1930. Nesse ano, chamado de marco divisório na política e nos direitos dos cidadãos, José dá início ao capítulo II, Marcha acelerada. Aqui, somos conduzidos pela primeira experiência democrática do país, com ampliação dos direitos sociais (a exemplo das legislações trabalhista e previdenciária) e políticos, com a participação direita dos indivíduos na escolha de seus representantes superiores. 

Em Passo atrás, passo adiante (capítulo III), a democracia é finalizada com a ascensão da ditadura. São nesses anos da história brasileira que assistimos à repressão dos direitos políticos e, principalmente, civis. O único que continua galgando é o social, com medidas paternalistas do Estado, resquícios do período anterior. Ainda, nos últimos anos da era ditatorial, observamos as mudanças implantadas sob o comando de Geisel, propiciando o retorno à democracia esquecida anteriormente... Por fim, chegamos a tão sonhada democracia atual, com a promulgação da Constituição Federal de 1988 (Constituição Cidadã), com indicativos de que todos os direitos seriam garantidos como nunca vistos antes. Entretanto, percebemos que a solução não seria apenas com a mudança no modelo eleitoral. Nesses momentos da década de 1990, a desigualdade permanecia grande, a pobreza também. Os direitos políticos foram garantidos, mas em contrapartida, os civis eram possíveis apenas para alguns. Verificamos, portanto, que estamos longe de uma sociedade equânime.

Cabe mencionar a atualização da 18ª edição, com o prefácio mencionando os movimentos sociais de junho de 2013 e o posfácio contando as mudanças, deslizes e realidade dos anos de 2000 em diante. 

Anoto um trecho que explica, talvez, o porquê da nossa sociedade ser da forma como é. Como nossa cidadania é diferente das tantas outras espalhadas pelo mundo:

“Aqui, primeiro vieram os direitos sociais, implantados em período de supressão dos direitos políticos e de redução dos direitos civis por um ditador que se tornou popular. Depois vieram os direitos políticos, de maneira também bizarra. A maior expansão do direito do voto deu-se em outro período ditatorial, em que os órgãos de representação política foram transformados em peça decorativa do regime. Finalmente, ainda hoje muitos direitos civis, a base da seqüência de Marshall, continuam inacessíveis à maioria da população. A pirâmide de direitos foi colocada de cabeça para baixo.” (pp. 219-220)

Torna-se importante mencionar o entendimento de Marshall sobre esses direitos, já que pontuados pelo autor:

“O elemento civil é composto dos direitos necessários à liberdade individual – liberdade de ir e vir, liberdade de imprensa, pensamento e fé, o direito à propriedade e de concluir contratos válidos e o direito à justiça. Este último difere dos outros porque é o direito de defender e afirmar todos os direitos em termos de igualdade com os outros e pelo devido encaminhamento processual. Isto nos mostra que as instituições mais intimamente associadas com os direitos civis são os tribunais de justiça. Por elemento político se deve entender o direito de participar no exercício do poder político, como um membro de um organismo investido da autoridade política ou como um eleitor dos membros de tal organismo. As instituições correspondentes são o parlamento e conselhos do Governo local. O elemento social se refere a tudo o que vai desde o direito a um mínimo de bem-estar econômico e segurança ao direito de participar, por completo, na herança social e levar a vida de um ser civilizado de acordo com os padrões que prevalecem na sociedade. As instituições mais intimamente ligadas com ele são o sistema educacional e os serviços sociais.” (MARSHALL, Thomas Humprey. Cidadania, Classe Social e Status. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1967, pp. 63-64).*


Recomendo a leitura.


*Site consultado.
A impossibilidade de compreensão da cidadania no Brasil a partir dos modelos clássicos
Fernanda Andrade Almeida
http://www.sociologiajuridica.net.br/antigo/rev04fernandaalm.htm#_ftn3

23.5.14

#branca




"[...]Ô, Ana! Por que és tão dengosa?
Com essa voz mansa e esse drama a me prender
Tens todo um charme aí dentro do peito
E esse teu remelexo, assim, sem querer
Ana, menina, me traga uma carícia,
vem e me atiça
Deixa em ti eu me perder![...]"

Ass: Victor Milton

9.5.14

#marrom



"[...]tracejar. 
Os teus passos desejam o mundo, enquanto os loucos aqui ficam a sonhar. 
Tuas covinhas sendo sorriso, fazem nossos olhos brilharem como num paraíso... 
Serena, brinca com a paz de Deus. Torna-se musa para esses múltiplos torcedores de suas conquistas.
E, para além do impossível, traceja nas nossas vidas em tom delicado, sutil
, afável. Amável. Sem caber em nós[...]"

Ass: Torcedores do Bahia.

16.4.14

Maconha

Semanas atrás comprei a revista Superinteressante - Edição Histórica: A Revolução da Maconha. Tinha visto sua capa bonita (aí do lado, e ela tem esse efeito psicodélico o que provocou essa faixa na foto) e me interessei pelas curiosidades que a Editora Abril traria nessa edição. Pois bem, a primeira impressão foi numa loja de roupa ao ser atendido, os funcionários observaram a revista e curiosos ficaram; ali mesmo começamos um debate sobre o tema. Eu, minha mãe e os funcionários. 
Ao ler, observei o quão desinformados somos e o quanto precisamos para quebrar todos os preconceitos propostos pela população. Os textos são escritos de maneira fácil e bastante informativos, mas exigem uma leitura posterior para quem realmente se interessar.

"Vai da história da planta, seja ela sativa, indica ou ruderalis (construída de uma maneira belíssima) a como plantar em casa, passando por questões políticas, financeiras (seus n's produtos derivados) e legais; regulamentação/legalização; distribuição mundial; a construção do preconceito e dos mitos a seu respeito; seu uso medicinal; o descobrimento do THC (Δ9-tetrahidrocanabinol); seus efeitos no organismo humano; e a busca pela maconha perfeita com o cultivo e a miscigenação de espécies e tipos. 98 páginas. Recomendo sua leitura e linkar as informações ofertadas com buscas mais aprofundadas sobre o tema."

Anos antes ganhei de um amigo o livro Maconha, cérebro e saúde, de Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro. Li. O livro fala sobre as potencialidades e os efeitos na maconha no corpo humano de uma maneira bastante científica, apresentando dados de pesquisas e informações relevantes. Senti a necessidade de relê-lo. E recomendo.

O que eu quero dizer mesmo, depois de toda essa ladainha, é a necessidade de se discutir um assunto com efeito importante para a saúde, política, economia, segurança e educação. Esse ano parece ser "o ano" para isso ocorrer: depois da regulamentação no Uruguai e nos Estados do Colorado e Washington - EUA; de evidências dos benefícios sobre algumas doenças; do documentário ILEGAL e a explosão do caso da família Fischer... É necessário encarar o problema de frente, analisá-lo de maneiro cuidadosa e bastante criteriosa, avaliar os benefícios e malefícios, e observar a realidade que acontece em outros países que estão enfrentando o problema. Acredito que não basta cruzar os braços e torcer o nariz ao ouvir a palavra "maconha" ou qualquer derivado. Leiamos primeiro, estudamos, depois tiramos nossas conclusões.

Links:
Projeto de Lei - SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS, assinado por Jean Wyllys. (Confesso que não li todo).
Growroom, site brasileiro que discute o tema.

11.4.14

#vermelho


"[...]ela passa pela calçada, despercebida, vagarosa
enquanto a multidão ansiosa a vê
e se deleita com a beleza em ser
da mulher que habita quarteirões inteiros.
Nada ao certo se sabe,
sobre o corpo ondulado
que de tanto vislumbrado
envergonha-se assim, sem querer.
É na boca sempre pintada
de um vermelho vívido
que os homens meio tímidos
anseiam pelo prazer[...]"

Ass: Rodrigo Rocha

10.4.14

Traço moreno curvado

Rosa Menina Rosa by CéU on Grooveshark


Salta, clareia, marca. Teu passo nos compassa perdidos, tuas madeixas enchem nossos dedos e nossos olhos, teu desapego nos conforta, teu amor gratuito nos acalenta. Morena, quanto tanto rosa, dos perfumes e do brilhar, é sobre agradecimento, sobre felicidades e todo um mundo que temos a lhe desejar. Seja essa belezura, esse encanto que enaltece o lugar que pisa. E nos seja no aperto do peito.

Pelas assinaturas: minha e de Leo.








Foto, do nosso queridíssimo, Calleo.

22.2.14

O mosquitinho ou a, não saberá.

Lá estava ele, simples, como se aquele papel amarelo colante fosse um gigante campo, como o terreno na caatinga. Diante o seu tamanho, e a partir das bordas do campo de caatinga existia, quem sabe, um oceano, riscado em branco e azul, tão macio, mas tão macio que era gritante contra a aspereza do terreno amarelo. E mais adiante existia uma montanha anuvemzada, branca amarelada - tem gente que diria estar encardida, mas ela não acreditaria nisso. E o tempo, e a brisa que vinha de um lugar exato e a calma e aquela estranha coisa com árvores distribuídas por uma imensidão e um paredão colorido logo acima... Ele ou ela, não se sabe, tranquila. Mas é que de repente esse local com árvores distribuídas se move e vem em sua direção, e no instinto inerente tenta voar com suas tímidas asas, mas cai sobre seu corpo todo aquele peso de gigante, e arrasta.
O dedo tornou-se sujo. O papel amarelo autoadesivo também.


UMA NOTA QUE NADA TEM SENTIDO: Li o Felicidade Clandestina, Clarice Lispector. É belíssimo, com a sutileza da realidade, do cotidiano... Ou mesmo sua conotação áspera, crua e vívida. A Clarice nos deixa próximos das suas ideias, do que seus olhos viram e sua mente imaginou. É gostoso, apaixonante e rápido. 
Preste atenção na simplicidade!
"[...]Pois se alguém prestasse atenção veria que ela lavava roupa - ao sol; que enxugava o chão - molhado pela chuva; que estendia lençóis - ao vento. Ela se arranjava para servir muito mais remotamente, e a outros deuses.[...] A CRIADA"

15.6.13

Aos queridos.


Esse texto foi imaginado como uma despedida minha à graduação e uma saudação ao tempo novo como profissional que me aparece. Foi matutado para demonstrar como espero que os caminhos sejam inúmeros e que a experiência que obtive de conhecimentos teóricos e práticos sejam acrescidos de mais ideias e informações. Mas esse texto, mentalmente, se tornou nostálgico e me lembrei das coisas que realmente aprendi nesses anos e que eu não deveria deixar passar por entre os dedos sem me apegar. Foi então que elaborei, ao deitar da noite, já com os olhos lacrimosos, esse meu adeus a quem eu tanto amei. Antes de qualquer elogio ou consagração, eu quero agradecer. Digo obrigado aos colegas, que viraram amigos e que viraram irmãos. Obrigado por me ensinar a viver, a possuir responsabilidade sobre os ombros e saber me estabelecer presente nos momentos adequados. A ter a coragem para desbravar percursos desconhecidos e  ansiar por novas conquistas. A ter nas noites mal dormidas o conforto das tuas palavras de estímulos na manhã seguinte, percebendo que tuas energias também já se esvaiam. Obrigado pelos abraços de parabéns e por me apoiar nas dificuldades. Por me tornar mais humano e mais perspicaz com as minúcias que são de fato importantes.
Elogio as pessoas que se agarraram ao meu peito e que pude perceber o quão grande são. Dividindo a juventude comigo e discutindo assuntos e ideais seculares. Elogiar as vozes afáveis que confortaram meu coração na balbúrdia do intervalo com suas melodias peculiares. Às discussões tenras que eram travadas nos percursos do campus. Às risadas enaltecidas devido às ilícitas. Aos suores estabelecidos nas festas e as lícitas divididas entre mesas e bares. Às viagens compartilhadas e o aprendizado de vida obtido.
Nostalgia ao lembrar dos mestres que me encaminharam, apoiaram, perseguiram, travaram e que me tornaram o tão profissional esperado. E dos momentos vividos, que não serão esquecidos.
Amigos, minha dezena, meus três, minhas duas. Não desfalecemos da vida, estamos apenas nos desgarrando, cortando o cordão umbilical, soltando as mãos após anos grudadas. Nesses próximos dias estarei desejando a constante aproximação nos futuros anos, mas me torno realista e não vislumbro tal constância. Então, passarei a vivenciar essa constância nas próximas semanas, se assim me for permitido. 
E desejo a vocês o que busco para mim, plenitude.



Queridos, 
imagino que vivenciarei essas emoções e que esteja sendo assim para vocês.

21.4.13

pavilhão


a ferida nua, despida de qualquer granulação, 
pulsa na lombar da velha que esboça sem esforços 
uma tristeza cruenta e uma voz inaudível.
do outro lado do corredor vejo um senhor,
também sufocado na sua incapacidade de falar,
se tornar violento por qualquer razão que lhe venha perturbar.
não muito diferente em sofrimento 
no canto pobre da situação
sofre em coletivo os seus "joãos"
ao lado das marias e dos josés.
nas camas enferrujadas e sujas de infelicidades passadas
encontramos despojadas em doenças, nossas práticas
a qual passamos como um martírio maior que qualquer outro
como se nosso sofrimento fosse compatível ao que
estamos sendo treinados a cuidar.
não há consolo na água suja do corredor,
não há vida transbordando,
dia após dia olhamos o término de nosso tempo
passado vagarosamente, como se quisesse nos arrancar mais gritos.
e lágrimas. 
e dor.

#dia pouco de um estágio grande

31.12.12

2012 - Retrospectiva Multimídia

Ao término do ano, relembro minhas atividades culturais durante esses 366 dias. O que não é de grande importância para vocês leitores, talvez, mas me agrada selecionar alguns livros, filmes e seriados que me fizerem bem ou mal.

Pois bem, aqui estão alguns seriados:

Melhores assistidos: Dexter, Game of Thrones, Suits e The Walking Dead.
Entre os medianos: Arrow, Breaking In, Glee, Grey's Anatomy, The Glee Project, The Kennedys, Touch e White Collar.
Ruins: 666 Park Avenue, Elementary e Pretty Little Liars.
Animações: Avatar (O Último Dobrador de Ar e A Lenda de Korra) e Kung Fu Panda.
Nacionais: As Brasileiras e Dercy de Verdade.


Nesse ano foram assistidos 88 filmes, dos quais alguns são espetaculares, outros enfadonhos. Os que chamaram atenção são:

(Indicados/Ganhadores do Oscar de Melhor Filme).

Melhores dos Meses:

jan: Contra o Tempo (2011)
fev: Os Imperdoáveis (1992)
mar: Tão Forte e Tão Perto (2011)
abr: 50% (2011)
mai: Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)
jun: Star Wars: Episódio 4 - Uma Nova Esperança (1977)
jul: -
ago: Os Vingadores (2012)
set: A Invenção de Hugo Cabret (2011)
out: Chocolate (2000)
nov: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
dez: Clube da Luta (1999)


Melhores Filmes - Oscar (Indicados e Ganhadores):

1. Amadeus (1984), 2. Menina de Ouro (2004), 3. Os Descendentes (2011), 4. Chicago (2002), 5. O Homem que Mudou o Jogo (2011), 6. Histórias Cruzadas (2011) e 7. Meia-Noite em Paris (2011).


Bons filmes:

1. Gigantes de Aço (2011), 2. Um Dia (2011), 3. Gato de Botas (2011), 4. Os Perdedores (2010), 5. Os Intocáveis (1987), 6. Por um Punhado de Dólares (1964), 7. A Dama de Ferro (2011), 8. Lembranças (2010), 9. Loucamente Apaixonados (2011), 10. Horror em Amityville (2005), 11. Fanboys (2008), 12. A Perseguição (2012), 13. Politécnica (2009), 14. Shelorck Holmes - O Jogo de Sombras (2011), 15. Para Sempre (2012), 16. 007 Quantum of Solace (2008), 17. J. Edgar (2011), 18. Terror Sem Limites (2010), 19. Eu Queria Ter a sua Vida (2011), 20. Jogos Vorazes (2012), 21. Missão Impossível: Protocolo Fantasma (2011), 22. Viagem à Lua (1902), 23. A Lenda dos Guardiões (2010), 24. O Clube do Imperador (2002), 25. Afterschool (2008), 26. O Iluminado (1980), 27. Madagascar 3 - Os Procurados (2012), 28. Drive (2011), 29. Sete Dias com Marilyn (2011), 30. A Era do Gelo 4 (2012), 31. Os Infratores (2012), 32. Valente (2012), 33. Looper - Assassinos do Futuro (2012), 34. Planeta dos Macacos: A Origem (2011), 35. Guerreiro (2011), 36. As Vantagens de Ser Invisível (2012) e 37. Fjögur Píanó (2012).


Nacionais:

1. VIPs (2011), 2. Amor por Acaso (2010), 3. O Palhaço (2011) e 4. Gonzaga - De Pai para Filho (2012).


E, por fim, os livros lidos:

Reli:

1. Harry Potter e a Pedra Filosofal, J. K. Rowling

E li:

2. Maconha, Cérebro e Saúde, Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro
3. Crepúsculo dos Ídolos, Friedrich Nietzsche
4. Ciganos, Rogério Ferrari
5. O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder
6. A Hora da Estrela, Clarice Lispector
7. Curdos, uma nação esquecida, Rogério Ferrari

Lendo:

Fortaleza Digital, Dan Brown
50 Tons de Cinza, E. L. James
Os Segredos da Mente Milionária, T. Harv Eker


Espero que no próximo ano, mesmo com as dificuldades previstas, esse número de conteúdo cresça.

13.12.12

História da carochina ou história pra boi dormir ou história de um nordestino ou melhor, história dos adolescentes desse país.

Texto produzido para fins acadêmicos (organização da atenção à saúde aos adolescentes), com inspiração declarada no A Hora da Estrela de Clarice.



Essa é uma história comum para a cultura brasileira, quiçá nordestina. Antes de apresentar o herói da vez, devo me apresentar, aliás, sou o narrador, o membro inteligente da mente do escritor. Pois bem, sou o oráculo da vida desse moço que será descrita nas próximas linhas. Mas, de antemão, defendo-me por qualquer realidade desagradável que ele venha sofrer e de algum desconforto que eu venha te provocar. Acostume-se, essa pode ser sua realidade, do seu vizinho, daquele rapaz da esquina que você mal cumprimenta. Essa é a realidade de muitos jovens espalhados por esse “brasilzão”. Agora que já sabem da minha impiedade, devem conhecer o idealista que todo jovem é, mas, novamente alerto você leitor, esse não é qualquer indivíduo. Esse é o Zé.

Zé é um cabra curioso, o moço de boa estirpe, um rapazote que as moças costumam babar ao passar. Entretanto, Zé não se sente assim e milhares de dúvidas rondam sua cabeça, mas não vê forma para respondê-las. Matuta no seu quarto a quem ele poderia descarregar essa bateria de perguntas, não acha solução. Ele enumera as possibilidades, mas logo em seguida as descarta pelas dificuldades. Pega uma folha do seu caderno mastigado pelo tempo e escreve com o lápis roído (abro observação, porque todo lápis de adolescente, principalmente os homens, tem que levar um resto de mastigação no seu fundo?):

20.10.12

Emergência Guerriada


Não tenho certeza como é, mas aquilo só pode ser cenário de guerra. Um ambiente hostil para a sobrevivência de qualquer ser, principalmente para humanos que já estão baleados da constante batalha: a vida. Partindo da ida sofremos ao subir um morro quase em 90º, a recompensa nessa escalada é a visão privilegiada do mar, logo ali no horizonte, dançando em traços azuis e verdes. Nossa visão consegue delimitar, como que feito em traço de lápis a separação entre os tons de belezura.
Parados na guarita já entristecemos pelas condições exteriores de sua aparência física. O acolhimento que deveria fazer jus ao seu nome é retalhado entre falta de cadeiras, lotação constante, gritos e choros, ineficiência de atendimento – talvez não por má educação do profissional, mas pela falta dos mesmos, ou (ainda imagino outras causas) falta de espaço, preparação, condições! As paredes turvas-azuis (tom exclusivo de sua existência) seguram os ombros cansados e machucados que buscam auxílios variados, auxílios que poderiam mesmo serem dados ao lado das suas casas, nas unidades primárias. Quando você penetra o portal da miséria encontra mais fila, te fazendo imaginar que só pode ser divertimento público sua criação, mas não.
Ali em poucos metros quadrados de um corredor você consegue soltar a fala rotineira: - Que cenário de guerra! Todos falam, você irá falar se visitar. Logo após esse momento verbalizado lhe alcança uma barrufada de odor. Não é o odor que está acostumado nos hospitais da vida, não é éter. É cheiro de doença, de ferida, de aconchego com a morte (se assim posso me ousar). A população doente espalhado por aquele espaço, encostados nas paredes sobre as macas enferrujadas, recebendo soros em suporte também enferrujados. Ao andar do começo ao fim – talvez entre 15 e 20 metros – você escuta uma sinfonia entristecida e também, por que não, enfurecida pelas condições (tosses, espirros, gritos, resmungos, cochichos, gemidos e uma gama de onomatopeias).
Resumindo minha estadia de oito dias vos conto o que vi e vivi nessa pseudocabana de guerra construída no morro do Alto da Conquista (propício: é o sentimento que se tem ao chegar ao topo e ao conseguir sobreviver desse atendimento).
Vi senhores chegando ensanguentados e esperando por atendentes médicos pedindo para esperar, ou melhor, enfermeiros pedindo para esperarem pelo atendimento. Como se ouvisse em resposta: - Ah! Ok! Não estou com pressa. Posso curtir um pouco mais a dor e perder um pouco mais de fluidos corporais. Vi senhoras e senhoritas se espremerem em filas para medicações e curativos, deixando transparecer na face alegria de estar esperando enquanto não recebem a “cura imediata” para o problema. Crianças de colo, de pé e de cama, por que não, emudecendo-se e chorando por estar ali, assustado naquele ambiente, respirando aquele fino ar. Vivi a grosseria de atendentes, os bons dias não respondidos, os procedimentos acelerados, o nervosismo generalizado, a reclamação contagiante, a tristeza de se estar ali na função de doente ou de cuidador.
Termino triste, não pela experiência de praticar um componente curricular, de realizar procedimentos, porque mesmo depois desse desgrenhado relato, aprendi. Todavia fico triste por saber que não vai sair dessa lama, por estar cada vez mais afundado. Por ter como novo governante – extraído de relatos de moradores antigos – o deus da roubalheira.
Sem delongas, recomendo dois pontos: escolham outro, vá realmente se necessário a esse hospital (como se o tipo de lugar fosse turístico) e se forem, tomem um café da barraquinha logo ao lado pra lhe dar uma revigorada, talvez.

15.6.12

Desde que nos declaramos racionais.


Todo esse jogo serve para alguma coisa.
Para se afastar dos domesticados que prezam e alegam uma racionalidade superior. Tais que fingem saber discutir conscientemente, que pregam segurar entre as mãos o poder do conhecimento e, entrando na soma, inferiorizam os que por instinto (e aí se entende por verdadeiro) agem. Todos os animais, sem exclusão.
Refiro-me ao jogo político que estamos cercados. Hoje, mais que qualquer outro ano, estamos experimentando toda a encenação da convivência. Temos que pensar exageradamente no que falar e para não cometer erros, melhor não falar. Percebi a um tempo que não podemos defender um ideal se nem o interiorizamos, ou construímos, ou refletimos. A desculpa do mundo globalizado esconde a burrice que todos estão fadados a viver se não nadam contra, principalmente a nova geração, que por sinal me incluo. Há uma preguiça generalizada em refletir e aprender. E é a partir desse princípio que os oportunistas abraçam a massa, tal massa que não quer ler um livro, ou entender todas as opiniões, ou refletir nos acertos e erros de todos, e que apenas se juntam a outrem por que ele acredita ser bom, e se assim é, por que eu também não posso tomar como meu?
Acho cômico, além de trágico, como os seres racionais podem se definhar e se dilacerar ao defender o nome de Zé ou João, enquanto esses dois apertam as mãos, firmam contrato e riem exasperadamente dos peões que morrem no tabuleiro. Bonito mesmo é o discurso da primeira página do site de pesquisa que todos decoram e fazem como se fosse seu: uma cidade/universidade melhor, com inúmeros projetos de melhorias, com honestidade e competência, visando a construção de um futuro próspero e... Complementam com mais palavras bonitas ou não. Não tem problema se não forem bonitas ou se tiverem erros ortográficos e gramaticais... A massa não liga para esses detalhes retrógrados (na internet, por exemplo, o importante é se comunicar). Sabendo que esse discurso realmente quer dizer: quero o poder e a máquina, depois o que vier é lucro! Todavia, acredito numa porcentagem ínfima que não copia o discurso, mas reflete sobre ele e age em cima dele.
Pois bem, nesse momento observo a movimentação dos inúmeros racionais políticos que brincam em se divulgar, utilizando os peões, as torres, os cavalos e os bispos para fazer seu nome e, otimistamente, seu bolso crescer. Se realmente quisessem fazer algo produtivo sobre o território (cidade/universidade) não olhavam para as pessoas – adversários e eleitores declarados e discretos – como um partido ou uma cor, e sim, analisavam o potencial que aquele indivíduo teria para contribuir na sua gestão em prol da construção de um futuro melhor. 

28.4.12

Confissões de um invejoso criador romântico

Sou um romântico por natureza. Invejosamente como aqueles do século XIX. Os mesmos intitulados artistas, boêmios, que apreciavam a esperança e a paixão, embelezavam ainda mais o entardecer, o crepúsculo e a criativa duradoura madrugada em suas deslumbrantes palavras. Delicio-me com as poesias dos ultra-românticos, mas principalmente com o poder de criação de mundo que lhes cabe. Essa habilidade de ser Deus que, comparativamente, está na mão de todo artista.
O ponto crucial que nos torna amadores e invejosos frente a Ele, é que temos certeza que nossos mundos criados são fictícios. Sua graciosidade é a dúvida, que habita nossas mentes e, portanto, preferimos - pra contrariá-lo e não dar o braço a torcer - nos intitular ateus.
Somos de uma nação que nega ser criação de outro. Nos achamos autossuficientes e capazes de ter nascido de algo que não Deus. Procuramos uma explicação plausível, contrária mesmo àquilo que somos e fazemos. Gostamos desse sentimento autoritário e poderoso. Gostamos de O ser - pelo menos essa classe de românticos.
Não afirmo sermos piores ou melhores, assim como não classifico os românticos e artistas que acreditam fazerem parte de uma inspiração. Como ateu, percebo, mesmo assim, a beleza da aceitação de ser um personagem de livre criação, e me regozijo quando tal personagem é de fato um criador, se permitindo levar pelas brisas das ideias e que dialoga criativamente com o Criador. Aponto-lhe: o que você planta ultrapassa a barreira de qualquer certeza.
A linguagem que nós, românticos e artistas, utilizamos é universal para expressar o que de belo ou não a vida tem. O poder que temos de criação e apreciação da arte e, por consequência, da vida é que nos aproxima do indizível. Aqui na Terra sentamos nas nossas poltronas do Olimpo, somos os deuses do politeísmo dos nossos mundos e, certamente, estamos honrando a vida que nos foi dada.
Sou um romântico, ateu, apaixonado pela flor azul.

Story of a Man




Dei uma apreciada.

18.4.12

Foi...

...o que pensei: levantar sorrateiramente, entregar o bilhete com meia dúzia de palavras reconfortantes e sorrir.
-
...o que fiz: guardei meus pensamentos, abaixei a cabeça e saí do átrio em silêncio.


Ela chorava pela perda inexplicável. A amiga consolava com curtas palavras e toques. O barulho do dia corria. E eu já me sentia incompleto.

29.3.12

“- Não é pecado, é diversão. O que faço com meu corpo não é sua preocupação!”


A manhã do amanhã já é presente, de grego, mas ainda assim aceitável, e ela desnorteada em tempo e espaço perambula por entre os poucos sonolentos que buscam uma boa onda. Seus pés com areia, apenas uma cueca azul, sua blusa em soma com sutiã ajudam em evidenciar o crime. Bebeu, fumou, cheirou e transou.

Essa é uma combinação repudiada pela sociedade. Quatro verbos que não devem ser conjugados juntos caso você não queira uma resultado catastrófico. Quem sabe um dos três primeiros com o último. Recomendo por sinal... Mas não seja tão leviano e irresponsável. Depois de devido conselho e repreensão conto-lhes o que meus olhos não viram, mas o que muita imaginação recriou.

Era noite festiva, dessas que adoramos estar presentes. Todos amigos reunidos, amigos de amigos e amigos de ninguém. Curtindo um bom volume de música, uma péssima ou, até mesmo, mediana escolha de áudio, não importa. A bebida vem fácil, sem empecilhos, sem discriminação e toda aquela massa incentiva seu uso. São dois, três copos, uma garrafa, duas, quem sabe três vodcas, uísques... Labels da vida.
Aí sim aparece o cigarrete. O cigarro de tabaco, maconha ou de palha. Um grupo do grupo aprova o fumo, já descriminado! Mesmo que seja apenas o “branco”, somado ao álcool a Terra não é mais um globo. Ela já se torna surrealista. Lenta, engraçada, filósofa. Para alguns, sem pestanejar a carreirinha se transforma em sucção, coceira no nariz, irritação nas cavidades, agitação em promessa. Imagine então quando tudo isso é somado dentro de poucas horas, dentro de muito espaço, dentro de uma população despreocupada com o sol nascer?!
A guria descolada não se enxerga nessa situação, as amigas, talvez naquele ano, as melhores, também não. Um sedutor barato, aproveitando da diversão impressa na face entrelaça seus dedos nos dedos finos da menina, e a puxa. Não num socavão, não! Deve ser discreto, deve ser ainda assim, romântico.
Por detrás das ruas principais encontram-se ruas paradisíacas, destinadas exclusivamente para navegantes que buscam quinze minutos de paz entre si. Enquanto ele a leva é possível vislumbrar corpos somados em somas simples, de um mais um e em somas mais elaboradas, como em dois mais um ou dois... A escolha do recanto deve ser minuciosa, as lâmpadas não devem alcançar! Não se busca proteção para partes baixas e sua malemolência, quando se vê dois vultos em tamanho movimento é certo que há o que se deve ser. Mas é a cara que se esconde em palmas. Aquele sol a nascer pode guardar vergonhas que custam a desaparecer. Todavia o galã oportuno tem medo de consequências mais severas, já que sua dondoca foi tecnicamente raptada da roda amiga.
É então que o último verbo é conjugado e consumado. Satisfeito por sua performance, o indivíduo se veste às pressas, talvez por motivos coerentes, e deixa pra trás sua cueca. Naquele momento, o que importava? Se emaranha na escuridão das ruas e volta para a curtição. Contando vantagem. A guria, tendo o efeito dos “animadores” diminuídos se vê atordoada naquela situação. Sua calcinha e short já tem mais dono, o que lhe resta (em teorias conspiratórias populacionais) é a cueca azul para proteger o que naquela noite fora apenas de um. A claridade devasta sua inconsciência, o barulho agita seus neurônios, o rosto amigo se aproxima, e a confiança de uma boa dormida lhe recai aos ombros.
As maçãs faciais ruborizadas não tem proteção. Os efeitos do amor e outras drogas estão em zero. A consciência, sua e alheia, pede explicação... E é aí que passa a funcionar a sua imaginação.

12.3.12

Câmera, som e produção




Achei decente, com um "barulhinho" legal de se ouvir e uma excelente imagem. Além da curiosidade de uma produção individualizada!