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21.4.13

pavilhão


a ferida nua, despida de qualquer granulação, 
pulsa na lombar da velha que esboça sem esforços 
uma tristeza cruenta e uma voz inaudível.
do outro lado do corredor vejo um senhor,
também sufocado na sua incapacidade de falar,
se tornar violento por qualquer razão que lhe venha perturbar.
não muito diferente em sofrimento 
no canto pobre da situação
sofre em coletivo os seus "joãos"
ao lado das marias e dos josés.
nas camas enferrujadas e sujas de infelicidades passadas
encontramos despojadas em doenças, nossas práticas
a qual passamos como um martírio maior que qualquer outro
como se nosso sofrimento fosse compatível ao que
estamos sendo treinados a cuidar.
não há consolo na água suja do corredor,
não há vida transbordando,
dia após dia olhamos o término de nosso tempo
passado vagarosamente, como se quisesse nos arrancar mais gritos.
e lágrimas. 
e dor.

#dia pouco de um estágio grande

31.12.12

2012 - Retrospectiva Multimídia

Ao término do ano, relembro minhas atividades culturais durante esses 366 dias. O que não é de grande importância para vocês leitores, talvez, mas me agrada selecionar alguns livros, filmes e seriados que me fizerem bem ou mal.

Pois bem, aqui estão alguns seriados:

Melhores assistidos: Dexter, Game of Thrones, Suits e The Walking Dead.
Entre os medianos: Arrow, Breaking In, Glee, Grey's Anatomy, The Glee Project, The Kennedys, Touch e White Collar.
Ruins: 666 Park Avenue, Elementary e Pretty Little Liars.
Animações: Avatar (O Último Dobrador de Ar e A Lenda de Korra) e Kung Fu Panda.
Nacionais: As Brasileiras e Dercy de Verdade.


Nesse ano foram assistidos 88 filmes, dos quais alguns são espetaculares, outros enfadonhos. Os que chamaram atenção são:

(Indicados/Ganhadores do Oscar de Melhor Filme).

Melhores dos Meses:

jan: Contra o Tempo (2011)
fev: Os Imperdoáveis (1992)
mar: Tão Forte e Tão Perto (2011)
abr: 50% (2011)
mai: Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)
jun: Star Wars: Episódio 4 - Uma Nova Esperança (1977)
jul: -
ago: Os Vingadores (2012)
set: A Invenção de Hugo Cabret (2011)
out: Chocolate (2000)
nov: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
dez: Clube da Luta (1999)


Melhores Filmes - Oscar (Indicados e Ganhadores):

1. Amadeus (1984), 2. Menina de Ouro (2004), 3. Os Descendentes (2011), 4. Chicago (2002), 5. O Homem que Mudou o Jogo (2011), 6. Histórias Cruzadas (2011) e 7. Meia-Noite em Paris (2011).


Bons filmes:

1. Gigantes de Aço (2011), 2. Um Dia (2011), 3. Gato de Botas (2011), 4. Os Perdedores (2010), 5. Os Intocáveis (1987), 6. Por um Punhado de Dólares (1964), 7. A Dama de Ferro (2011), 8. Lembranças (2010), 9. Loucamente Apaixonados (2011), 10. Horror em Amityville (2005), 11. Fanboys (2008), 12. A Perseguição (2012), 13. Politécnica (2009), 14. Shelorck Holmes - O Jogo de Sombras (2011), 15. Para Sempre (2012), 16. 007 Quantum of Solace (2008), 17. J. Edgar (2011), 18. Terror Sem Limites (2010), 19. Eu Queria Ter a sua Vida (2011), 20. Jogos Vorazes (2012), 21. Missão Impossível: Protocolo Fantasma (2011), 22. Viagem à Lua (1902), 23. A Lenda dos Guardiões (2010), 24. O Clube do Imperador (2002), 25. Afterschool (2008), 26. O Iluminado (1980), 27. Madagascar 3 - Os Procurados (2012), 28. Drive (2011), 29. Sete Dias com Marilyn (2011), 30. A Era do Gelo 4 (2012), 31. Os Infratores (2012), 32. Valente (2012), 33. Looper - Assassinos do Futuro (2012), 34. Planeta dos Macacos: A Origem (2011), 35. Guerreiro (2011), 36. As Vantagens de Ser Invisível (2012) e 37. Fjögur Píanó (2012).


Nacionais:

1. VIPs (2011), 2. Amor por Acaso (2010), 3. O Palhaço (2011) e 4. Gonzaga - De Pai para Filho (2012).


E, por fim, os livros lidos:

Reli:

1. Harry Potter e a Pedra Filosofal, J. K. Rowling

E li:

2. Maconha, Cérebro e Saúde, Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro
3. Crepúsculo dos Ídolos, Friedrich Nietzsche
4. Ciganos, Rogério Ferrari
5. O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder
6. A Hora da Estrela, Clarice Lispector
7. Curdos, uma nação esquecida, Rogério Ferrari

Lendo:

Fortaleza Digital, Dan Brown
50 Tons de Cinza, E. L. James
Os Segredos da Mente Milionária, T. Harv Eker


Espero que no próximo ano, mesmo com as dificuldades previstas, esse número de conteúdo cresça.

20.10.12

Emergência Guerriada


Não tenho certeza como é, mas aquilo só pode ser cenário de guerra. Um ambiente hostil para a sobrevivência de qualquer ser, principalmente para humanos que já estão baleados da constante batalha: a vida. Partindo da ida sofremos ao subir um morro quase em 90º, a recompensa nessa escalada é a visão privilegiada do mar, logo ali no horizonte, dançando em traços azuis e verdes. Nossa visão consegue delimitar, como que feito em traço de lápis a separação entre os tons de belezura.
Parados na guarita já entristecemos pelas condições exteriores de sua aparência física. O acolhimento que deveria fazer jus ao seu nome é retalhado entre falta de cadeiras, lotação constante, gritos e choros, ineficiência de atendimento – talvez não por má educação do profissional, mas pela falta dos mesmos, ou (ainda imagino outras causas) falta de espaço, preparação, condições! As paredes turvas-azuis (tom exclusivo de sua existência) seguram os ombros cansados e machucados que buscam auxílios variados, auxílios que poderiam mesmo serem dados ao lado das suas casas, nas unidades primárias. Quando você penetra o portal da miséria encontra mais fila, te fazendo imaginar que só pode ser divertimento público sua criação, mas não.
Ali em poucos metros quadrados de um corredor você consegue soltar a fala rotineira: - Que cenário de guerra! Todos falam, você irá falar se visitar. Logo após esse momento verbalizado lhe alcança uma barrufada de odor. Não é o odor que está acostumado nos hospitais da vida, não é éter. É cheiro de doença, de ferida, de aconchego com a morte (se assim posso me ousar). A população doente espalhado por aquele espaço, encostados nas paredes sobre as macas enferrujadas, recebendo soros em suporte também enferrujados. Ao andar do começo ao fim – talvez entre 15 e 20 metros – você escuta uma sinfonia entristecida e também, por que não, enfurecida pelas condições (tosses, espirros, gritos, resmungos, cochichos, gemidos e uma gama de onomatopeias).
Resumindo minha estadia de oito dias vos conto o que vi e vivi nessa pseudocabana de guerra construída no morro do Alto da Conquista (propício: é o sentimento que se tem ao chegar ao topo e ao conseguir sobreviver desse atendimento).
Vi senhores chegando ensanguentados e esperando por atendentes médicos pedindo para esperar, ou melhor, enfermeiros pedindo para esperarem pelo atendimento. Como se ouvisse em resposta: - Ah! Ok! Não estou com pressa. Posso curtir um pouco mais a dor e perder um pouco mais de fluidos corporais. Vi senhoras e senhoritas se espremerem em filas para medicações e curativos, deixando transparecer na face alegria de estar esperando enquanto não recebem a “cura imediata” para o problema. Crianças de colo, de pé e de cama, por que não, emudecendo-se e chorando por estar ali, assustado naquele ambiente, respirando aquele fino ar. Vivi a grosseria de atendentes, os bons dias não respondidos, os procedimentos acelerados, o nervosismo generalizado, a reclamação contagiante, a tristeza de se estar ali na função de doente ou de cuidador.
Termino triste, não pela experiência de praticar um componente curricular, de realizar procedimentos, porque mesmo depois desse desgrenhado relato, aprendi. Todavia fico triste por saber que não vai sair dessa lama, por estar cada vez mais afundado. Por ter como novo governante – extraído de relatos de moradores antigos – o deus da roubalheira.
Sem delongas, recomendo dois pontos: escolham outro, vá realmente se necessário a esse hospital (como se o tipo de lugar fosse turístico) e se forem, tomem um café da barraquinha logo ao lado pra lhe dar uma revigorada, talvez.

18.4.12

Foi...

...o que pensei: levantar sorrateiramente, entregar o bilhete com meia dúzia de palavras reconfortantes e sorrir.
-
...o que fiz: guardei meus pensamentos, abaixei a cabeça e saí do átrio em silêncio.


Ela chorava pela perda inexplicável. A amiga consolava com curtas palavras e toques. O barulho do dia corria. E eu já me sentia incompleto.

31.12.11

11 - 12

Agradeço os ocorridos nesse ano de 2011. Olhando pra trás percebo o quanto cresci e ajudei outras pessoas a crescerem. Alguns aspectos ainda são defeituosos, mas já percebidos. E vislumbro um bom sonho de 2012, com realizações conseguidas, um aprendizado gigante sobre qualquer contexto vivido e que abram nossos passos para o 13, 14... E afins! Feliz ano novo!!!

(E os três caroços das três uvas enrolados no dinheiro!)


Retrospectiva Multimídia 2011

Então... Sou um assíduo telespectador do que acontece nas TVs e cinemas e, de um tempo pra cá não muito, - culpo meu dispêndio exagerado com afazeres acadêmicos - um leitor. Assim como navegador nas horas vagas pela internet. Como guardei cuidadosamente os seriados assistidos, assim como os filmes (aí ao lado direito), além dos livros, catalogo aqui o que de melhor, pior e assim assim ficou guardado tanto no HD cerebral quanto no HD digital. Segue em "mais informações".


26.12.11

Ao meu menino Jimmy.





"Ao menino dono da casa e da beleza que se foi essa madrugada deixando um enorme vazio no nosso peito."
(Jimmy Hendrix 2003-2011)

28.11.11

leo


Numa fotografia bela como homenagem, um colega a intitula Flores e Silêncio, o que nossa cultura propõe nesse ritual nostálgico que enfrentamos ao lado do nosso ente querido durante aquele período de tempo e depois o veja sendo deitado no desconforto da terra. Suponho que as flores sejam em forma de homenagem por tudo o que foi feito por ele e, como diz uma frase alheia, “são a primavera da vida que floresce na eternidade”. E o silêncio é nosso singelo respeito, é o que nos faz relembrar e fazer escorrer pelo canto da face a gota de nossa tristeza.
Éramos próximos pelas circunstâncias da vida, compartilhávamos momentos uno de experiência, assim como aqui estamos fazendo, e como num piscar a beleza do movimento se esvai. Resta-nos a dor de lembrar e de ainda não acreditar na possibilidade disso ter acontecido. Mas, de fato aconteceu meus amigos. Sei o quão duro é aceitar a ausência do outro, permitir que lhe tire por entre os dedos a delícia da convivência e tentar seguir adiante depois do ocorrido, mas me proponho a não deixa-lo sair de minha mente, a trazê-lo em diferentes momentos para próximo ao peito e trata-lo com seu merecido carinho e honra.
Como numa frase que sempre brinco, digo: “ele cumpriu sua sentença”. Mesmo indignados fiquemos por quem dita a vida, por ele não merecer fim tão rápido, por supostamente ter todo um trajeto a ser percorrido, paro e reflito naquilo que ele fez. Não me perco em tempo para reclamar da foice, mas dedico-me exclusivamente para refletir o quão saborosa foi sua passagem aqui conosco e como será vívida suas ideias e ideais para o tempo que também me for concedido.
Apego-me ao budismo e cito que “se nos lembrarmos da inevitabilidade da morte, geraremos o desejo de usar nossa preciosa vida humana de modo significativo”. Acredito que ele procriou muita significância nos seus passos, com sua perspicácia, inteligência, educação, por disponibilizar a troca de experiência, por nos persuadir com seus pensamentos, por se tornar referencial de pessoa, por me fazer brilhar os olhos com suas palavras, por me fazer ter uma boa inveja para com seu comportamento. Entretanto não descarto o que ainda poderia vir, mas, novamente, instigo-me a disseminar o que com poucas palavras e demonstrações o que ele me ensinou.
Sou pequeno demais para julgar o que nos acontece a partir desse ponto, não sei o que habita sobre mim, mas afirmo o que também quero como desejo próprio, que minhas palavras, singela sabedoria e minha vida seja relembrada sempre que possível, para recriar sorrisos, exemplos ou mesmo por fugaz lembrança. Soube que no ceu ele foi velado e talvez no céu ele tenha ido, mas enquanto terra o que fiz e o que agora quero fazer a seu respeito é lhe ofertar como flores as minhas palavras para citar seu nome e em forma de respeito, deixo de lado a meditação do silêncio, e peço para que façamos uma salva de palmas para a vida de nosso querido colega, Leonardo.   

28.10.11

Dos três anos que o ZIN (sem o -ho) fez no dia 14.

Como sou um "postador" muito regular e atencioso com as coisas, todos vêem, não percebi que no último 14 de outubro esse endereço aqui fez três anos de existência. E eu queria dar os parabéns para mim (autossuficiente). Coloquei o -ho lá em cima - explicando... - porque eu mantive um blog chamado Heroizinho por um curto espaço de tempo, ou nem tão curto assim, acho que um ano. Quando tive a esplêndida ideia de tomar o apelido do meu vô para criar uma certa descendência (depois de um tempo surgiu o fictício clã Zin, minha família Gonçalves. OBS: Que agora já tem o FeiZin, o pequeno). Então 'tá aí... Perturbando o silêncio alheio, criando situações desconcertantes e matando de vergonha os meus familiares e amigos.

Utilizando dos frequentes-anuais posts do blog do meu irmão, Binóculo Míope, tenho a estatística (menos numerosa):

150 posts
265 comentários
1 página (a C.S.C)
4.586 visualizações
Visitantes de diversos países (Brasil ¬¬, EUA, Alemanha, Portugal, Holanda, Japão, Índia, Canadá, Rússia e França) seja lá o que estiveram procurando...
...
E um único post com quase 1.000 visualizações (fica a dica: vale colocar um título com alta busca no google)


PS: E 7 visualizações de página pelo navegador 
Jakarta Commons-HttpClient, o que é assustador!

21.10.11

Experiência Hospitalar Pública

Naquele momento eu me desliguei totalmente das minhas responsabilidades, algo que não costumo fazer, mas ali eu vi o sofrimento na cara. Naquela enfermaria aqueles humanos estavam vivendo em condições lamentáveis. O odor que ambientava era insuportável, pra mim que ali estava em poucas horas... Imaginei aqueles pacientes e acompanhantes virando dias com aquilo impregnado no nariz. Aquela visão, aquela parede com sua cor amena, sem vida. Aquelas feridas expostas às manhãs. As expectorações alheias a todo momento, os banhos, os banheiros. Tudo. Fiquei ali olhando as expressões nas faces daqueles seres e não sabia qual o sentimento que passavam por eles, se era medo da morte, dor, sofrimento diverso, pena do outro. Acordei naquele ambiente e ainda vi o sorriso no rosto do paciente que eu cuidava... Vi que ainda restava alegria e esperança no ser. Talvez isso é o que ainda importe. 

11.9.11

11 de setembro

Aquela manhã as pessoas subiam para a morte. O sol irradiava sua beleza por entre as esquinas da cidade, os prédios e as irmãs que se projetavam naquela cidade. Os seres que ali estavam, acordaram em meio a despertadores, abraços e beijos familiares; pegaram seus carros e táxis para baterem o cartão na rotina fadigante que estamos todos presos, com o simples interesse monetário. Desperdiçando o tempo com papéis, obrigações, estresses... Vendo passar pela janela seu tempo útil aqui na terra. 
Naquele momento viam o avião se aproximar e ver todos os seus planos e futuro serem jogados pelo ar. Estavam destinados a nunca mais descerem.
Todas as cores que emanavam naquela bela manhã tornam-se um mar cinza, onde nada mais era distinguível, onde o mundo caía sobre nossas cabeças.


Aos 10 anos de todas as mortes.