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13.12.12

História da carochina ou história pra boi dormir ou história de um nordestino ou melhor, história dos adolescentes desse país.

Texto produzido para fins acadêmicos (organização da atenção à saúde aos adolescentes), com inspiração declarada no A Hora da Estrela de Clarice.



Essa é uma história comum para a cultura brasileira, quiçá nordestina. Antes de apresentar o herói da vez, devo me apresentar, aliás, sou o narrador, o membro inteligente da mente do escritor. Pois bem, sou o oráculo da vida desse moço que será descrita nas próximas linhas. Mas, de antemão, defendo-me por qualquer realidade desagradável que ele venha sofrer e de algum desconforto que eu venha te provocar. Acostume-se, essa pode ser sua realidade, do seu vizinho, daquele rapaz da esquina que você mal cumprimenta. Essa é a realidade de muitos jovens espalhados por esse “brasilzão”. Agora que já sabem da minha impiedade, devem conhecer o idealista que todo jovem é, mas, novamente alerto você leitor, esse não é qualquer indivíduo. Esse é o Zé.

Zé é um cabra curioso, o moço de boa estirpe, um rapazote que as moças costumam babar ao passar. Entretanto, Zé não se sente assim e milhares de dúvidas rondam sua cabeça, mas não vê forma para respondê-las. Matuta no seu quarto a quem ele poderia descarregar essa bateria de perguntas, não acha solução. Ele enumera as possibilidades, mas logo em seguida as descarta pelas dificuldades. Pega uma folha do seu caderno mastigado pelo tempo e escreve com o lápis roído (abro observação, porque todo lápis de adolescente, principalmente os homens, tem que levar um resto de mastigação no seu fundo?):

20.10.12

Emergência Guerriada


Não tenho certeza como é, mas aquilo só pode ser cenário de guerra. Um ambiente hostil para a sobrevivência de qualquer ser, principalmente para humanos que já estão baleados da constante batalha: a vida. Partindo da ida sofremos ao subir um morro quase em 90º, a recompensa nessa escalada é a visão privilegiada do mar, logo ali no horizonte, dançando em traços azuis e verdes. Nossa visão consegue delimitar, como que feito em traço de lápis a separação entre os tons de belezura.
Parados na guarita já entristecemos pelas condições exteriores de sua aparência física. O acolhimento que deveria fazer jus ao seu nome é retalhado entre falta de cadeiras, lotação constante, gritos e choros, ineficiência de atendimento – talvez não por má educação do profissional, mas pela falta dos mesmos, ou (ainda imagino outras causas) falta de espaço, preparação, condições! As paredes turvas-azuis (tom exclusivo de sua existência) seguram os ombros cansados e machucados que buscam auxílios variados, auxílios que poderiam mesmo serem dados ao lado das suas casas, nas unidades primárias. Quando você penetra o portal da miséria encontra mais fila, te fazendo imaginar que só pode ser divertimento público sua criação, mas não.
Ali em poucos metros quadrados de um corredor você consegue soltar a fala rotineira: - Que cenário de guerra! Todos falam, você irá falar se visitar. Logo após esse momento verbalizado lhe alcança uma barrufada de odor. Não é o odor que está acostumado nos hospitais da vida, não é éter. É cheiro de doença, de ferida, de aconchego com a morte (se assim posso me ousar). A população doente espalhado por aquele espaço, encostados nas paredes sobre as macas enferrujadas, recebendo soros em suporte também enferrujados. Ao andar do começo ao fim – talvez entre 15 e 20 metros – você escuta uma sinfonia entristecida e também, por que não, enfurecida pelas condições (tosses, espirros, gritos, resmungos, cochichos, gemidos e uma gama de onomatopeias).
Resumindo minha estadia de oito dias vos conto o que vi e vivi nessa pseudocabana de guerra construída no morro do Alto da Conquista (propício: é o sentimento que se tem ao chegar ao topo e ao conseguir sobreviver desse atendimento).
Vi senhores chegando ensanguentados e esperando por atendentes médicos pedindo para esperar, ou melhor, enfermeiros pedindo para esperarem pelo atendimento. Como se ouvisse em resposta: - Ah! Ok! Não estou com pressa. Posso curtir um pouco mais a dor e perder um pouco mais de fluidos corporais. Vi senhoras e senhoritas se espremerem em filas para medicações e curativos, deixando transparecer na face alegria de estar esperando enquanto não recebem a “cura imediata” para o problema. Crianças de colo, de pé e de cama, por que não, emudecendo-se e chorando por estar ali, assustado naquele ambiente, respirando aquele fino ar. Vivi a grosseria de atendentes, os bons dias não respondidos, os procedimentos acelerados, o nervosismo generalizado, a reclamação contagiante, a tristeza de se estar ali na função de doente ou de cuidador.
Termino triste, não pela experiência de praticar um componente curricular, de realizar procedimentos, porque mesmo depois desse desgrenhado relato, aprendi. Todavia fico triste por saber que não vai sair dessa lama, por estar cada vez mais afundado. Por ter como novo governante – extraído de relatos de moradores antigos – o deus da roubalheira.
Sem delongas, recomendo dois pontos: escolham outro, vá realmente se necessário a esse hospital (como se o tipo de lugar fosse turístico) e se forem, tomem um café da barraquinha logo ao lado pra lhe dar uma revigorada, talvez.

31.1.12

Sobre a pouca experiência em Saúde Mental - Autonomia


Quando exposto o tema autonomia numa frase da docente ao comparar a liberdade e independência que o doente mental possui (onde devemos trata-lo de maneira coerente, diferente da nossa forma de tratar uma criança, que ainda possui liberdade, mas sua dependência é claramente maior aos seus cuidadores), questionei até quando isso é possível e qual deve ser de fato essa maneira. Não excluindo saber sobre o que acontece com tais pacientes na realidade.
Com o histórico e a luta da desinstitucionalização é percebida uma situação de conflito entre o doente mental e a realidade que lhe é proposta, habitando numa sociedade excludente e que lhes abandona. É nesse instante que a bioética vem com seu papel de transitar no campo do conflito e das dúvidas existentes em relação ao doente mental.

11.11.11

Qual a forma acertada do cuidar?


A cultura da saúde mental, antigamente, mantinha um “estufar de peito” por ver seus centros manicomiais cheios, repletos de pessoas sem rumo, sem continuidade na história, sem expectativa de vida. Encarcerados num entretenimento vicioso em mantê-los ocupados com a desocupação, tornando-os doentes constantes, focando o valor monetário e a boa vida no trabalho – entende-se vida fácil e autoritária na rotina.
O filme nos mostra essa realidade degradante que sobrevivia no século passado. Os profissionais utilizavam de uma autoridade para controlar seus bens orçamentários, acreditando estar fazendo o papel orgânico-social-psicológico correto com aqueles indivíduos. A vida que era proposta a esses seres com problemas mentais era humilhante, desonrosa e frustrante de ideias, sonhos e ideais. Não se existia probabilidade de se viver ao adentrar nessas instituições, nos direcionando a ter sentimentos de revolta aos profissionais e compaixão aos internos.

21.10.11

Experiência Hospitalar Pública

Naquele momento eu me desliguei totalmente das minhas responsabilidades, algo que não costumo fazer, mas ali eu vi o sofrimento na cara. Naquela enfermaria aqueles humanos estavam vivendo em condições lamentáveis. O odor que ambientava era insuportável, pra mim que ali estava em poucas horas... Imaginei aqueles pacientes e acompanhantes virando dias com aquilo impregnado no nariz. Aquela visão, aquela parede com sua cor amena, sem vida. Aquelas feridas expostas às manhãs. As expectorações alheias a todo momento, os banhos, os banheiros. Tudo. Fiquei ali olhando as expressões nas faces daqueles seres e não sabia qual o sentimento que passavam por eles, se era medo da morte, dor, sofrimento diverso, pena do outro. Acordei naquele ambiente e ainda vi o sorriso no rosto do paciente que eu cuidava... Vi que ainda restava alegria e esperança no ser. Talvez isso é o que ainda importe. 

6.9.11

O que de direito temos?


"O governo lamenta ter que tomar essa decisão, (...) com o intuito solidário para com os outros” – ensaio sobre a cegueira.
A solidariedade proposta por tal governo é sem questionamento de aceitação para os afetados, visando um afastamento dessa população contaminante, buscando uma salvação do restante da sociedade. Esse poder estatal é de maneira radical e tirano, excluindo indivíduos das mais básicas necessidades de bem-estar, saúde, alimentação e liberdade.