“...minha mão em tua cintura copiando tua mão na cintura minha...”
Conto às vezes em que não penso em te ver. São minúsculas, assim como meu movimento à sua procura. É essa timidez que mata todas as possíveis chances que um dia eu poderia ter. Mas minha esperança é sempre reavivada quando ouço suas batidas na minha porta, sua voz chamando pelo meu nome, seu tratamento carinhoso que mantém um jogo sensual cuidadoso. Daqueles que não se lança por completo, se protege e aguarda um movimento estratégico da outra pessoa. E eu? Assim como meus sonhos, respiramos tranqüilos, lívidos, vívidos, libidos!
E aí sorrimos. Mantemos esse lance de dentes à mostra por segundos que demoram e logo em seguida lançamos das nossas bocas e mãos brincadeiras que possuem mais que duplo sentido. Entretanto, me parece que se o objetivo desejado for consumido não ficará mais gostoso a partir de então. Parece que esse rubor facial sumirá como em inúmeras vezes aconteceram.
Estamos excitados em não nos tocar. Gozamos da/de felicidade em apenas imaginar a possibilidade daquilo acontecer. É esse o sentido de gostar e querer bem. Todavia pertencemos a uma classe de animal que não se contenta em apenas observar o molejo do quadril da fêmea, do seu busto preso por detrás de poucos panos. Os machos querem o tato, os lábios, a língua, o corpo por completo. E quando isso acontecer, manteremos até vivos em algumas semanas esse calor de agora... Depois?! Depois sumirá, apagará...
Então, o meu objetivo de agora e fazermo-nos querer sem poder ter. E se poder ter, fugir e rir. E só depois por um fim!
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É nesse momento que matamos nossa fome por carne.