26.4.13
21.4.13
pavilhão
a ferida nua, despida de qualquer granulação,
pulsa na lombar da velha que esboça sem esforços
uma tristeza cruenta e uma voz inaudível.
do outro lado do corredor vejo um senhor,
também sufocado na sua incapacidade de falar,
se tornar violento por qualquer razão que lhe venha perturbar.
não muito diferente em sofrimento
no canto pobre da situação
sofre em coletivo os seus "joãos"
ao lado das marias e dos josés.
nas camas enferrujadas e sujas de infelicidades passadas
encontramos despojadas em doenças, nossas práticas
a qual passamos como um martírio maior que qualquer outro
como se nosso sofrimento fosse compatível ao que
estamos sendo treinados a cuidar.
não há consolo na água suja do corredor,
não há vida transbordando,
dia após dia olhamos o término de nosso tempo
passado vagarosamente, como se quisesse nos arrancar mais gritos.
e lágrimas.
e dor.
#dia pouco de um estágio grande
31.12.12
2012 - Retrospectiva Multimídia
Ao término do ano, relembro minhas atividades culturais durante esses 366 dias. O que não é de grande importância para vocês leitores, talvez, mas me agrada selecionar alguns livros, filmes e seriados que me fizerem bem ou mal.
Pois bem, aqui estão alguns seriados:
Entre os medianos: Arrow, Breaking In, Glee, Grey's Anatomy, The Glee Project, The Kennedys, Touch e White Collar.
Ruins: 666 Park Avenue, Elementary e Pretty Little Liars.
Animações: Avatar (O Último Dobrador de Ar e A Lenda de Korra) e Kung Fu Panda.
Nacionais: As Brasileiras e Dercy de Verdade.
Nesse ano foram assistidos 88 filmes, dos quais alguns são espetaculares, outros enfadonhos. Os que chamaram atenção são:
(Indicados/Ganhadores do Oscar de Melhor Filme).
Melhores dos Meses:
jan: Contra o Tempo (2011)
fev: Os Imperdoáveis (1992)
mar: Tão Forte e Tão Perto (2011)
abr: 50% (2011)
mai: Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)
jun: Star Wars: Episódio 4 - Uma Nova Esperança (1977)
jul: -
ago: Os Vingadores (2012)
set: A Invenção de Hugo Cabret (2011)
out: Chocolate (2000)
nov: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
dez: Clube da Luta (1999)
Melhores Filmes - Oscar (Indicados e Ganhadores):
1. Amadeus (1984), 2. Menina de Ouro (2004), 3. Os Descendentes (2011), 4. Chicago (2002), 5. O Homem que Mudou o Jogo (2011), 6. Histórias Cruzadas (2011) e 7. Meia-Noite em Paris (2011).
Bons filmes:
1. Gigantes de Aço (2011), 2. Um Dia (2011), 3. Gato de Botas (2011), 4. Os Perdedores (2010), 5. Os Intocáveis (1987), 6. Por um Punhado de Dólares (1964), 7. A Dama de Ferro (2011), 8. Lembranças (2010), 9. Loucamente Apaixonados (2011), 10. Horror em Amityville (2005), 11. Fanboys (2008), 12. A Perseguição (2012), 13. Politécnica (2009), 14. Shelorck Holmes - O Jogo de Sombras (2011), 15. Para Sempre (2012), 16. 007 Quantum of Solace (2008), 17. J. Edgar (2011), 18. Terror Sem Limites (2010), 19. Eu Queria Ter a sua Vida (2011), 20. Jogos Vorazes (2012), 21. Missão Impossível: Protocolo Fantasma (2011), 22. Viagem à Lua (1902), 23. A Lenda dos Guardiões (2010), 24. O Clube do Imperador (2002), 25. Afterschool (2008), 26. O Iluminado (1980), 27. Madagascar 3 - Os Procurados (2012), 28. Drive (2011), 29. Sete Dias com Marilyn (2011), 30. A Era do Gelo 4 (2012), 31. Os Infratores (2012), 32. Valente (2012), 33. Looper - Assassinos do Futuro (2012), 34. Planeta dos Macacos: A Origem (2011), 35. Guerreiro (2011), 36. As Vantagens de Ser Invisível (2012) e 37. Fjögur Píanó (2012).
Nacionais:
1. VIPs (2011), 2. Amor por Acaso (2010), 3. O Palhaço (2011) e 4. Gonzaga - De Pai para Filho (2012).
E, por fim, os livros lidos:
Reli:
1. Harry Potter e a Pedra Filosofal, J. K. Rowling
E li:
2. Maconha, Cérebro e Saúde, Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro
3. Crepúsculo dos Ídolos, Friedrich Nietzsche
4. Ciganos, Rogério Ferrari
5. O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder
6. A Hora da Estrela, Clarice Lispector
7. Curdos, uma nação esquecida, Rogério Ferrari
Lendo:
Fortaleza Digital, Dan Brown
50 Tons de Cinza, E. L. James
Os Segredos da Mente Milionária, T. Harv Eker
Espero que no próximo ano, mesmo com as dificuldades previstas, esse número de conteúdo cresça.
Ruins: 666 Park Avenue, Elementary e Pretty Little Liars.
Animações: Avatar (O Último Dobrador de Ar e A Lenda de Korra) e Kung Fu Panda.
Nacionais: As Brasileiras e Dercy de Verdade.
Nesse ano foram assistidos 88 filmes, dos quais alguns são espetaculares, outros enfadonhos. Os que chamaram atenção são:
(Indicados/Ganhadores do Oscar de Melhor Filme).
Melhores dos Meses:
jan: Contra o Tempo (2011)
fev: Os Imperdoáveis (1992)
mar: Tão Forte e Tão Perto (2011)
abr: 50% (2011)
mai: Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)
jun: Star Wars: Episódio 4 - Uma Nova Esperança (1977)
jul: -
ago: Os Vingadores (2012)
set: A Invenção de Hugo Cabret (2011)
out: Chocolate (2000)
nov: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
dez: Clube da Luta (1999)
Melhores Filmes - Oscar (Indicados e Ganhadores):
1. Amadeus (1984), 2. Menina de Ouro (2004), 3. Os Descendentes (2011), 4. Chicago (2002), 5. O Homem que Mudou o Jogo (2011), 6. Histórias Cruzadas (2011) e 7. Meia-Noite em Paris (2011).
Bons filmes:
1. Gigantes de Aço (2011), 2. Um Dia (2011), 3. Gato de Botas (2011), 4. Os Perdedores (2010), 5. Os Intocáveis (1987), 6. Por um Punhado de Dólares (1964), 7. A Dama de Ferro (2011), 8. Lembranças (2010), 9. Loucamente Apaixonados (2011), 10. Horror em Amityville (2005), 11. Fanboys (2008), 12. A Perseguição (2012), 13. Politécnica (2009), 14. Shelorck Holmes - O Jogo de Sombras (2011), 15. Para Sempre (2012), 16. 007 Quantum of Solace (2008), 17. J. Edgar (2011), 18. Terror Sem Limites (2010), 19. Eu Queria Ter a sua Vida (2011), 20. Jogos Vorazes (2012), 21. Missão Impossível: Protocolo Fantasma (2011), 22. Viagem à Lua (1902), 23. A Lenda dos Guardiões (2010), 24. O Clube do Imperador (2002), 25. Afterschool (2008), 26. O Iluminado (1980), 27. Madagascar 3 - Os Procurados (2012), 28. Drive (2011), 29. Sete Dias com Marilyn (2011), 30. A Era do Gelo 4 (2012), 31. Os Infratores (2012), 32. Valente (2012), 33. Looper - Assassinos do Futuro (2012), 34. Planeta dos Macacos: A Origem (2011), 35. Guerreiro (2011), 36. As Vantagens de Ser Invisível (2012) e 37. Fjögur Píanó (2012).
Nacionais:
1. VIPs (2011), 2. Amor por Acaso (2010), 3. O Palhaço (2011) e 4. Gonzaga - De Pai para Filho (2012).
E, por fim, os livros lidos:
Reli:
1. Harry Potter e a Pedra Filosofal, J. K. Rowling
E li:
2. Maconha, Cérebro e Saúde, Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro
3. Crepúsculo dos Ídolos, Friedrich Nietzsche
4. Ciganos, Rogério Ferrari
5. O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder
6. A Hora da Estrela, Clarice Lispector
7. Curdos, uma nação esquecida, Rogério Ferrari
Lendo:
Fortaleza Digital, Dan Brown
50 Tons de Cinza, E. L. James
Os Segredos da Mente Milionária, T. Harv Eker
Espero que no próximo ano, mesmo com as dificuldades previstas, esse número de conteúdo cresça.
20.12.12
13.12.12
História da carochina ou história pra boi dormir ou história de um nordestino ou melhor, história dos adolescentes desse país.
Texto produzido para fins acadêmicos (organização da atenção à saúde aos adolescentes), com inspiração declarada no A Hora da Estrela de Clarice.
Essa é uma história comum para a cultura
brasileira, quiçá nordestina. Antes de apresentar o herói da vez, devo me
apresentar, aliás, sou o narrador, o membro inteligente da mente do escritor. Pois
bem, sou o oráculo da vida desse moço que será descrita nas próximas linhas.
Mas, de antemão, defendo-me por qualquer realidade desagradável que ele venha
sofrer e de algum desconforto que eu venha te provocar. Acostume-se, essa pode
ser sua realidade, do seu vizinho, daquele rapaz da esquina que você mal
cumprimenta. Essa é a realidade de muitos jovens espalhados por esse
“brasilzão”. Agora que já sabem da minha impiedade, devem conhecer o idealista
que todo jovem é, mas, novamente alerto você leitor, esse não é qualquer
indivíduo. Esse é o Zé.
Zé é um cabra curioso, o moço de boa
estirpe, um rapazote que as moças costumam babar ao passar. Entretanto, Zé não
se sente assim e milhares de dúvidas rondam sua cabeça, mas não vê forma para
respondê-las. Matuta no seu quarto a quem ele poderia descarregar essa bateria
de perguntas, não acha solução. Ele enumera as possibilidades, mas logo em
seguida as descarta pelas dificuldades. Pega uma folha do seu caderno mastigado
pelo tempo e escreve com o lápis roído (abro observação, porque todo lápis de
adolescente, principalmente os homens, tem que levar um resto de mastigação no
seu fundo?):
20.10.12
Emergência Guerriada
Não
tenho certeza como é, mas aquilo só pode ser cenário de guerra. Um ambiente
hostil para a sobrevivência de qualquer ser, principalmente para humanos que já
estão baleados da constante batalha: a vida. Partindo da ida sofremos ao subir um morro quase em 90º, a recompensa nessa
escalada é a visão privilegiada do mar, logo ali no horizonte, dançando em
traços azuis e verdes. Nossa visão consegue delimitar, como que feito em traço
de lápis a separação entre os tons de belezura.
Parados
na guarita já entristecemos pelas condições exteriores de sua aparência física.
O acolhimento que deveria fazer jus ao seu nome é retalhado entre falta de
cadeiras, lotação constante, gritos e choros, ineficiência de atendimento –
talvez não por má educação do profissional, mas pela falta dos mesmos, ou
(ainda imagino outras causas) falta de espaço, preparação, condições! As
paredes turvas-azuis (tom exclusivo de sua existência) seguram os ombros
cansados e machucados que buscam auxílios variados, auxílios que poderiam mesmo
serem dados ao lado das suas casas, nas unidades
primárias. Quando você penetra o portal
da miséria encontra mais fila, te fazendo imaginar que só pode ser
divertimento público sua criação, mas não.
Ali
em poucos metros quadrados de um corredor você consegue soltar a fala
rotineira: - Que cenário de guerra! Todos falam, você irá falar se visitar.
Logo após esse momento verbalizado lhe alcança uma barrufada de odor. Não é o odor que está acostumado nos hospitais da vida, não é éter. É cheiro
de doença, de ferida, de aconchego com a morte (se assim posso me ousar). A
população doente espalhado por aquele espaço, encostados nas paredes sobre as
macas enferrujadas, recebendo soros em suporte também enferrujados. Ao andar do
começo ao fim – talvez entre 15 e 20 metros – você escuta uma sinfonia
entristecida e também, por que não, enfurecida pelas condições (tosses,
espirros, gritos, resmungos, cochichos, gemidos e uma gama de onomatopeias).
Resumindo
minha estadia de oito dias vos conto o que vi e vivi nessa pseudocabana de
guerra construída no morro do Alto da Conquista (propício: é o sentimento que
se tem ao chegar ao topo e ao conseguir sobreviver desse atendimento).
Vi
senhores chegando ensanguentados e esperando por atendentes médicos pedindo
para esperar, ou melhor, enfermeiros pedindo para esperarem pelo atendimento.
Como se ouvisse em resposta: - Ah! Ok! Não estou com pressa. Posso curtir um
pouco mais a dor e perder um pouco mais de fluidos corporais. Vi senhoras e senhoritas
se espremerem em filas para medicações e curativos, deixando transparecer na
face alegria de estar esperando enquanto não recebem a “cura imediata” para o
problema. Crianças de colo, de pé e de cama, por que não, emudecendo-se e
chorando por estar ali, assustado naquele ambiente, respirando aquele fino ar.
Vivi a grosseria de atendentes, os bons dias não respondidos, os procedimentos
acelerados, o nervosismo generalizado, a reclamação contagiante, a tristeza de
se estar ali na função de doente ou de cuidador.
Termino
triste, não pela experiência de praticar um componente curricular, de realizar
procedimentos, porque mesmo depois desse desgrenhado relato, aprendi. Todavia
fico triste por saber que não vai sair dessa lama, por estar cada vez mais afundado.
Por ter como novo governante – extraído de relatos de moradores antigos – o
deus da roubalheira.
Sem
delongas, recomendo dois pontos: escolham outro, vá realmente se necessário a
esse hospital (como se o tipo de lugar fosse turístico) e se forem, tomem um
café da barraquinha logo ao lado pra lhe dar uma revigorada, talvez.
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